Jheniffer Maciel

DESENVOLVIMENTO URBANO DE BAIXO IMPACTO

INTRODUÇÃO

Durante as últimas décadas foi possível identificar um processo acelerado da urbanização no Brasil de forma desordenada. Assim o país chegou ao final do século XX como um país urbano e em 2000 a população ultrapassou 2/3 da população total, atingindo a marca dos 138 milhões de pessoas (TAVANTI, 2009).

Com a ocupação irregular e ainda com os componentes que acompanham a estrutura urbana, as inundações também aumentaram, pois a urbanização causa a impermeabilização gerando impactos negativos para a população e sobre os recursos naturais. A presença de estruturas como ruas, calçadas e edificações altera o ciclo hidrológico natural que mantém seu balanço através dos processos de evaporação, precipitação, infiltração e a evapotranspiração das plantas (CIRIA, 2015 apud MOREIRA, 2016).

Qualquer alteração do ciclo hidrológico natural traz consigo consequências, como, por exemplo, o aumento dos picos e vazões de escoamento em locais onde ocorre a impermeabilização da sua superfície (NETO, 2010 apud MOREIRA, 2016).

Assim, este artigo irá apresentar o conceito de Desenvolvimento de Baixo Impacto (Low Impact Development, LID) e as técnicas de drenagem dessa tecnologia.

1 DESENVOLVIMENTO URBANO DE BAIXO IMPACTO – LID

Segundo a Agência Americana de Proteção Ambiental (US EPA, 2015) o termo Desenvolvimento Urbano de Baixo Impacto (Low Impact Development – LID) se refere à sistemas e práticas que utilizam ou simulam processos naturais que resultam em infiltração, evapotranspiração ou utilizam a água da chuva para preservar a qualidade da água e seus ambientes aquáticos associados (MOREIRA, 2016).

O LID surgiu como uma alternativa aos processos convencionais de drenagem, incluindo as Melhores Práticas de Gestão (BMP – Best Management Practices), utilizadas comumente para somente diminuir os efeitos do escoamento superficial (CITY OF SAN DIEGO STORM WATER DIVISION, 2011 apud MOREIRA, 2016).

O LID é uma abordagem para o desenvolvimento urbano que faz uso de aspectos naturais para gerenciar a água da chuva o mais próximo possível da sua fonte (CITY OF SAN DIEGO STORM WATER DIVISION, 2011 apud MOREIRA, 2016). Essa metodologia também emprega princípios tais como a preservação e a recriação de paisagens naturais, minimizando assim a impermeabilidade da área e criando sistemas de drenagem que tratam a água da chuva muito mais como recurso do que como um problema a ser resolvido (US EPA, 2015 apud MOREIRA, 2016).

1.2 VANTAGENS DO LID

O LID busca a criação da paisagem hidrológica funcional que imite a natureza por intermédio de (TUCCI; SOUZA, 2005):

a) Minimização de impactos por águas pluviais, incluindo diminuição de áreas impermeáveis, conservação de recursos e ecossistemas naturais, manutenção de cursos de drenagem, redução de encanamentos e minimização de movimentação de terra, ainda no planejamento;

b) Provimento de medidas de armazenamento uniformemente dispersas, pelo uso de práticas que retenham o escoamento, para mitigar ou restaurar distúrbios inevitáveis ao regime hidrológico;

c) Manutenção do tempo de concentração de pré-desenvolvimento por estrategicamente propagar fluxos e manter o tempo de deslocamento e o controle de descarga;

d) Implementação de programas de educação pública efetiva para encorajar proprietários a usar medidas de prevenção à poluição e a manter práticas de gestão da paisagem hidrológica funcional no lote.

1.2.1 Objetivos do LID

Os objetivos desta prática é providenciar incentivos econômicos que encorajem o desenvolvimento ambientalmente sensível; desenvolver todo o potencial de projeto e planejamento ambientalmente sensível; auxiliar a construir comunidades baseadas em administração ambiental; e encorajar a flexibilidade em regulamentações que permitam inovações quanto à aplicabilidade de práticas correntes em águas pluviais e aproximações alternativas (TUCCI; SOUZA, 2005).

1.3 TÉCNICAS DE LID

O LID adota um conjunto de procedimentos que tentam compreender e reproduzir o comportamento hidrológico anterior à urbanização. Sendo assim, uso de paisagens multifuncionais aparece como elementos úteis na malha urbana, de modo a permitir a recuperação das características de infiltração e detenção da bacia natural, procurando imitar as funções hidrológicas da bacia natural, envolvendo volume, vazão, recarga e tempos de concentração (AQUAFLUXUS, 2012).

1.3.1 Células de biorretenção

Células de Biorrentenção são depressões que contém vegetação cultivada em uma mistura dimensionada de solo posicionada sobre uma camada drenante de material britado. Elas proporcionam armazenamento, infiltração e evaporação para água da chuva como também para o escoamento superficial advindo das áreas vizinhas (MOREIRA, 2016). Elas também podem contribuir com um aumento na biodiversidade local, promover um refrescamento do microclima local através da evapotranspiração de seus componentes vegetais e atuar como sistemas naturais de bela aparência, autônomos no que se deve a fertilização e irrigação (CIRIA, 2015 apud MOREIRA, 2016).

1.3.2 Trincheiras de infiltração

As trincheiras de infiltração servem predominantemente como armazenadoras da água captada, reduzindo sua energia de escoamento e proporcionando mais tempo para que ocorra a infiltração no solo natural (CITY OF SAN DIEGO STORM WATER DIVISION, 2011 apud MOREIRA, 2016). Podem estar cobertas, descobertas ou com um revestimento permeável, de modo que se adeque melhor ao ambiente urbano. São dispositivos lineares e devem idealmente receber o escoamento lateralmente das áreas impermeáveis, porém fluxos pontuais ainda são aceitáveis (SUSDRAIN, 2012 apud MOREIRA, 2016).

As trincheiras de infiltração são geralmente dimensionadas para comportar volumes de chuva de altos períodos de recorrência, estes variando de 30 até 100 anos (CIRIA, 2015 apud MOREIRA, 2016).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio do exposto, o LID busca reduzir os impactos ambientais sobre o ciclo hidrológico causado pela urbanização, buscando resgatar as características naturais deste ciclo; promovendo o comportamento natural da água de um ecossistema ou bacia hidrográfica, com isso são buscadas técnicas que possam atender tais objetivos.

As técnicas de LID assim serão utilizadas a fim de reduzir os impactos das áreas impermeáveis; controlar o volume e freqüência do escoamento, fazendo com que este dure mais tempo, evitando inundações; aumentar o tempo de concentração. E com o controle do escoamento, que seguindo os princípios do LID serão feitos em locais mais próximos em que a chuva tinge o solo, teremos em áreas urbanizadas a diminuição de alagamentos e o efeito de não sobrecarregar os sistemas de drenagens convencionais.

REFERÊNCIAS

AQUAFLUXUS. Criando cidades sustentáveis. Disponível em: < https://www.aquafluxus.com.br/desenvolvimento-de-baixo-impacto-um-conceito/>. Acesso em: 13/11/2018.

MOREIRA, David Luersen. Aplicabilidade de técnicas de drenagem de baixo impacto no campus da universidade federal de Santa Maria. Disponível em: < http://coral.ufsm.br/engcivil/images/PDF/2_2016/TCC_DAVID%20LUERSEN%20MOREIRA.pdf>. Acesso em 13/11/2018.

TAVANTI, Débora Riva. Desenvolvimento de baixo impacto aplicado ao processo de planejamento urbano. Disponível em: < https://www2.ufscar.br/>. Acesso em: 13/11/2018.

TUCCI,C; SOUZA, C.F.; Desenvolvimento urbano de baixo impacto: uma aproximação à sustentabilidade da drenagem urbana. Disponível em: < http://rhama.com.br/blog/wp-content/uploads/2017/04/baixoimpacto05.pdf>. Acesso em: 13/11/2018.

Jheniffer Maciel

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